domingo, 16 de outubro de 2011

O que aprendemos com... Caim, parte 1

O que têem Jó, Ló, Abraão e Caim em comum? Pode parecer esquisito, a comparação é certamente inusitada, mas todos os personagens bíblicos acima mencionados foram vítimas de deus. 
Pois claro, meros servos de quem deus fez gato sapato, vulgos transmissores da invencível moral divina, usados de variadas formas para que, em nome dele - amém - e do seu propósito - que se cumpra a sua vontade hoje e sempre -, todos os pecaminosos humanos que gozam da sua benignidade imerecida aprendessem com os seus exemplos.

Caim

Génesis conta, além da fantástica história de como todos fomos postos neste mundo, começando por adão e o resultado duma orquestral experiência com uma das suas costelas, eva, o relato de dois irmãos antagónicos, o campo e a cidade daqueles tempos, o pastor e o agricultor. O pastor, Abel, e o lavrador do solo, Caim, eram ambos tementes a deus, crentes na sua justiça e, tanto quanto o capítulo quarto de génesis conta, zelosos na sua fé. Tanto que, em mais um ato de adoração ao único deus existente, aquele que "exige devoção única e exclusiva" - por ser ciumento, claro está, que deus não pretende que adulemos falsos profetas - resolveram fazer um sacrifício. Abel, por ser pastor de ovelhas, deduz-se que tenha sido dessa espécie onde foi buscar "pedaços gordos do seu rebanho". Já Caim, plantador não de naus a haver mas de legumes por cozinhar, (alface, batata, grão, pepino, feijão, pimentos, aipo, cogumelos, tomate, lentilhas - para mais informações ver este sketch dos Gato Fedorento) deve, segundo consta, ter presenteado deus com os frutos que cultivava no solo, dos quais também dependia para sobreviver. Estranhamente, deus não vê as duas ofertas do mesmo modo, pois não obstante aceitar a de Abel, já a de Caim lhe parece mal. Parecer mal acaba por ser uma invenção minha que vem a propósito, pois tanto quanto sei não se discriminam as razões pelas quais deus tenha aceite uma e não a outra oferenda. Estariam as leguminosas a apodrecer? Estaria deus farto de comer vegetais? Ou o fumo das ovelhas cheirava melhor? O que é certo é que a partir desta contenda se desenrola o primeiro assassinato alguma vez cometido e, como ele fará questão de nos lembrar de ora em diante, a omnipresença de deus nas disputas humanas. Caim ousou assassinar o seu próprio irmão, cego pela raiva e pela inveja, ao passo que deus lhe incutiu estes sentimentos por ter preterido o seu sacrifício e sem dar satisfações, ter traído a sua confiança, ele que é o deus amoroso, da paz, da justiça, da misericórdia e da brandura, deixando o pobre caim à beira de um ataque de nervos por causa de uma pinta na testa que muitas conversas de circunstância ia iniciando com os transeuntes. Está bem que era bom estar protegido da morte, - quem o matasse haveria de morrer 7 vezes e isso é coisa que nem os gatos queriam arriscar - mas por outro lado aquilo era um incómodo porque as pessoas - já nesse tempo, que isto já vem de longe - comentam e matutam e aquela pinta nem com sabonete se via limpa.


Aborrece escrever mais, isto continua.
Enquanto isso leiam o capítulo 4 de génesis. Hebreus 4:4 também refere esta história. Ou melhor, durante Hebreus todo vão encontrar referências.

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