quinta-feira, 8 de novembro de 2012

quando urge acreditar/escrever



A urgência de se escrever compreende-se no momento: quem quer escrever usa as palavras como um aerossol, ou como última prece no dia do julgamento, um último recurso.
O crente converte-se numa espécie de último reduto da sanidade, na medida em que só a sua crença autoesculpida lhe permite a não rendição à urgência da escrita; outros há, que com ingenuidade macabra, lançam os dados de Pascal e fazem uma cama aconchegante à sua consciência.
Outra imagem recorrente é a de um shofar que toca e tem o mesmo efeito de um trovão: a multidão que se reunia nos tempos idos para celebrar pelo som mais um sacrifício, desta vez agrupa-se de mãos juntas, com reverência e uma prece alada prestes a perder-se pelos céus:
- "oh senhor, poupa-nos mais um dia, acaba com a ira desta mãe natureza que te ousa ultrapassar".
E mais um Sandy acontece. Um certo sexismo prevalece. O mundo descansa porque algures foi impedido que mais um tanso se sentasse - a ele e aos seus amigos imaginários - na cadeira mais poderosa deste mundo.

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